Domingo, 17 de Outubro

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ENTREVISTA

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JULIANO GARCIA
PESSANHA

Juliano Garcia Pessanha é Escritor. Doutorou-se em Filosofia pela USP. Publicou Testemunho transiente (COSAC 2015) e Recusa do não-lugar (UBU  2018). Seu último livro é O filósofo no porta-luvas (TODAVIA  2021).

 

 

Diante de suas obras, penso que se faz interessante perguntar: de onde surgiu sua inteligência aguçada?

Nunca me senti inteligente. Fui um menino com problemas de aprendizado. Foi no magma da idiotia e do isolamento que a palavra dos escritores me alcançou, e, hesitante, me lancei na sua direção.

 

 

Como começou sua relação com os livros e com a leitura?

Perdido num mar de assuntos abstratos num colégio semi interno, senti algo novo quando, aos 16 anos, li Capitães da Areia do Jorge Amado, A carne do Julio Ribeiro e Dom Casmurro do Machado de Assis. Aos 17 aportei no largo de São Francisco incentivado pelos poemas do ex aluno Álvares de Azevedo.

 

 

Que lugar pensa para sua escrita?

 

Minha escrita foi até aqui uma passagem da tanatografia para a biografia (transcrição exposta do existir), por meio do canibalismo do grifo.

 

 

Qual sua concepção de linguagem?

Linguagem: uma continuação da música: a maravilha que torna possível as transmissões prometedoras.

 

 

Para você, o que é Desejo?

Nos últimos anos me relaciono comigo mais em termos dos exercícios que pratico do que como sujeito do desejo.

 

 

Testemunho transiente reúne alguns dos seus livros que foram publicados anteriormente: Sabedoria do nunca (1999), Ignorância do sempre (2000), Certeza do agora (2002) e Instabilidade perpétua (2009). Conte aos leitores do Lacan Litoral o que seria um Testemunho transiente!

Testemunho transiente é a passagem anotada do

existir ex-posto nomeado na pergunta 3.

 

 

Em Recusa do não-lugar você apresenta questões em torno da perplexidade, da relação com as palavras e da relação com o mundo. Como surgiu o título do livro e o que você considera 'estar no mundo'?

Estar no mundo é ter chegado ao ponto de poder olhar os outros e não só ser olhado e devastado. O título Recusa do não-lugar tem a ver com o movimento de negar o negativo como originário.

 

 

Como funciona sua relação com a psicanálise?

 

Fiz muita análise e acompanhei o trabalho de psicanalistas. Harold Searles e Masud Khan foram importantes para o meu tipo de escrita. Hoje busco novos caminhos que não desaguam na hermenêutica do sujeito.

 

No recém lançado 'O filósofo no porta-luvas' você escreve sobre Frederico que "seu surgimento contínuo no mundo, tendo por trás o vazio" era  "como um caso de lucidez e memória do abismo". Diante disso, como pensa a vida?

 

A vida é uma questão de forma. 

 

 

Se pudesse costurar a existência com uma palavra só: 

Se usamos a semântica do existir, a questão é poder permanecer aí sem ser engolido pela fenda. Encontrar o equilíbrio das margens. Mas há outras semânticas possíveis.

 

 

 

 

 

 

Entrevista realizada Por ISIS CARINA NUNES.

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